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O PONTO DE VISTA É SEMPRE A VISTA DE UM PONTO

Parafraseando o celebre Leonardo Boff que afirma “todo ponto de vista é a vista de um ponto” ao refletir sobre a leitura e a interpretação, o teólogo e escritor nos esclarece ainda que:


“A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam. Para compreender é essencial conhecer o lugar social de quem olha. Vale dizer: como alguém vive, com quem convive, que experiência tem, em que trabalha, que desejos alimenta, como assume os dramas da vida e da morte, e que esperanças o anima. Isso faz da compreensão sempre uma interpretação.” - Leonardo Boff


Frequentemente escuto do meu amado “todo compreender é afetivo” que é uma frase difundida por Paulo Freire ao esclarecer sobre a afetividade na pedagogia.


O que tem a ver ponto de vista, compreender e afetividade com o texto de uma feminista duvidosa, #bruxa do século XXI queimada na fogueira das interpretações (adjetivos que me foram dados por hatters)?



É que “todo ponto de vista, no que tange a vista de um ponto,” sendo eu uma #feminista que está aprendendo a ser #humanista, declaro não ter o direito de julgar e sim tentar compreender, que muitas vezes, o feminismo tantas vezes confundido é literalmente jogado contra nós mulheres (o que ao meu ver deveria ser um crime), afinal, o feminismo não se trata de uma luta de mulher contra homem, nem de homem contra mulher, tampouco de mulher contra mulher.



Não tem a ver com radicalismos de “suvaco cabeludo” e que qualquer mulher adere ou não se quiser, não tem a ver com o aborto (que me perdoem as radicais não sou adepta), afinal, feminismo não é sobre “agredir homens” é sobre não se deixar ser vítima. É sobre nos darmos as mãos e nos ajudarmos de verdade, lutando por nossas conquistas e espaço na sociedade sem julgamento, sem precisar procurar o ponto vulnerável da outra para ferir. É sobre a tal da #empatia e #sororidade de verdade, buscando compreender com afetividade, que cada ser humano tem um ponto de vista, e esse ponto de vista está atrelado com a realidade social em que vive e a que foi submetido em sua vida.



Outro dia por questões relacionadas ao trabalho artístico de um grupo de amigos, enquanto ser humano, enquanto amiga, enquanto alma artística que pulsa em mim, tentei da minha maneira defender amigos e trabalho, que foram acusados de racismo, e que na minha humilde opinião, não se tratava de racismo, é sim de uma má compreensão do trabalho, que resultou em uma violência inimaginável, um verdadeiro linchamento nas redes sociais que colocou meus amigos, e até mesmo a mim, em relativa perturbação.



Os que protestavam em uma posição de não compreensão e interpretação descontextualizada da verdadeira intenção artística em trabalhar as diversas formas de maquiagem e etnias em uma mesma mulher. E eu, por minha vez, também me vi inserida em uma situação confusa sendo atacada, pelo simples fato de tentar externar que toda aquela violência era desnecessária, no qual todos fomos pegos de surpresa pela interpretação desacertada.



Uma análise que durante dias tirou a minha paz até que eu compreendesse o que de fato aconteceu, e quando me deparei com os textos de Leonardo Boff e do Paulo Freire pude compreender que tanto os amigos artistas quando os colegas que protestaram, ambos defenderam e interpretaram com base em suas #vivências e convivências, com as experiências que tem, os desejos alimentam, e principalmente com a forma que assumem os dramas da vida e da morte de seus antepassados, as esperanças de respeito e glória que os animam. Contudo, ainda não chegamos na parte do compreender os dois lados, vez que, se o #compreender é #afetivo, faltou para ambos os lados, ambos corretos defendendo o chão onde pisam e suas convicções. O que me convidou a uma reflexão ainda não conclusiva, de compreensão e interpretação das e nas situações.



Dos meus amigos eu compreendi que eles desejam a arte, a arte não se explica, é visão, percepção, mergulho profundo em mundos particulares, arte tem dessas coisas, pode ser tudo, pode ser nada, pode ser loucura, devaneio e #tesão, e cada olhar, com base em suas experiências particulares lhes emprestará uma interpretação ou não, é subjetivo, e por isso mesmo é belo, a vida sem olhares diferentes e sem subjetividades perde o encanto, a magia, a graça e a sua razão de ser.



Aos colegas que protestaram deixo a minha compreensão em função da empatia que venho a nutrir por suas dores, afinal, é justamente a forma que assumem os dramas da vida e da morte, principalmente de seus antepassados que os animaram a resistir e a lutar, contudo, temos longo caminho a percorrer enquanto sociedade que precisa evoluir, visto que essa educação que aí está, ainda não é #libertadora o suficiente. E na maioria dos casos que envolvem todas as espécies de violência, assim como o racismo e a interpretação deste, o oprimido vira opressor, como nos esclarece Paulo Freire. E nesse sentido, mesmo não intencionalmente, o racismo é sim estrutural e a violência voluntária e involuntária é recorrente.



Em termos de humanidade temos muito caminho a percorrer, precisa ser pensada, interpretada e compreendida, claro, com um olhar afetivo, sem este, não há como haver empatia e consecutivamente a paz.

Por fim, na tentativa de defender o meu ponto de vista relacionada a qualidade artística, ao trabalho impecável do maquiador, da interpretação magistral da modelo e na sensibilidade do olhar através das lentes do fotografo, fui também linchada, por pessoas que não conhecem a minha história, que não sabem da onde vim, o que passei, tampouco quem sou, onde pisei em meu viver social, onde o feminismo que defendo na luta por uma participação digna da #mulher na sociedade foi jogado contra mim, e até a fogueira do preconceito que muitas vezes fui queimada, me senti jogada novamente, dessa vez, simplesmente pelo fato de não concordar com nenhuma espécie de linchamento ou violência.



O que mais uma vez me jogou em uma #reflexão profunda, então lembrei de Mahatma Gandhi, que em termos de luta sempre silenciou diante da violência, sem se omitir, mas em busca da paz.



Um silêncio profundo e reflexivo, afinal, a violência deu mais ibope e visibilidade para o trabalho que a própria arte de fato, o que deveria nos convidar ainda mais a reflexão sobre o assunto.

E sendo todo #pontodevista, a vista de um ponto, prefiro refletir sobre a Madre Teresa de Calcutá, é que a vista do meu ponto é não lutar contra a guerra, mas me manifestar em favor da paz, e assim, diante de tudo, arquivei, deletei, não respondi a ofensa, não respondi, ciente que as ofensas a que me foram destinadas refletem os dramas de quem os vive e cabe a mim somente, buscar somente o olhar compassivo de que o compreender é afetivo, para com os amigos e para a empatia em que me solidarizo com a dor dos sofridos.



Um abraço a você que me leu até aqui. Obrigada.

Ps: Raquel Marinho, eu mesma!

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