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SEJA A PROTAGONISTA DA SUA VIDA!

As mulheres da minha geração enquanto crianças sempre escutaram aquelas historinhas sobre príncipes encantados e heróis protagonizados por uma figura que não eram nós mesmas. Longe disso!


Além disso, a madrasta que deveria ser só amor, afinal, tecnicamente se enlaçou com o pai da princesa, ou era extremamente malvada, ou bruxa, ou bonita e malvada ao mesmo tempo, pior, a protagonista que não protagonizava nada, só sofria, só se escondia, mal lutava, constantemente submissa e abnegada no triste sofrimento que era a sua vida, aguardando pacientemente ser salva por um outro alguém, um príncipe encantado (só que não).


Bem, não tão bem assim!


Na prática, em decorrência e no sistema patriarcal em que vivemos, essa história para boi não dormir, apenas suplantou no inconsciente de muitas jovens (inclusive no meu, só por um tempo, ufaaah), que o protagonismo estava apenas, ou exclusivamente destinado a figura masculina, deixando para a mulher o papel de coadjuvante, por muitas vezes, somente de figurante.



Esse sistema, que com a contribuição do machismo irracional, impõe às mulheres uma posição desigual na sociedade, cria um estigma de competição de umas contra as outras, afinal, como se o parceiro fosse um troféu, o e o tal relacionamento fosse um investimento, a união entre pessoas perde o seu real sentido de existir, afinal, relacionamento é parceria e encontro, é compatibilidade, é tanta coisa, e são tantas coisas, que acabaram sendo deturpadas a união e a participação da mulher na sociedade por muitos anos.


Eu sei, vocês vão me dizer:

- Pô Raquel, que assunto chato!

- Que clichê!

Então vamos lá.


Quantas mulheres antes de observar a potência que a outra é procura primeiro defeitos? Infelizmente, aceitemos ou não, parte da minha geração, as quarentonas, e parte das que vieram antes e depois dessa geração, viveram essa cultura em casa, convivi com muitas mulheres mais machistas que homens.

E como você eu também concordo que o mundo mudou, mulheres são independentes, ganham seu próprio dinheiro, podem ir e vir, fazem o que querem. E aí eu digo:

- Será???

Frequentemente, confundimos #independênciafinanceira, #autonomia de ir e vir, com independência real e autonomia emocional, o que são coisas muito diferentes. Quando o assunto é #gênero e as questões de gênero, eu, que agora vos falo já me equivoquei demais. Mesmo tendo ficado independe financeiramente aos 15 anos de idade e começar a ir e vir de um estado para outro trabalhando aos 18 aninhos. E a autoestima, parecia elevadíssima, só que autocuidado é uma coisa, autoestima é outra, e amor-próprio é bem mais diferente ainda.



Passei anos da minha vida completamente de olhos vendados, como muitas outras mulheres maravilhosas, ofuscadas pela espera de um príncipe encantado que jamais viria para o resgate da vida que elas(eu) deveríamos protagonizar. #Protagonistas que não sabem o poder que tem, com capacidades incríveis e descomunais, mulheres que conheci ao longo de trinta anos caminhando comigo nessa jornada como estilista especializada em lingerie, bem como, há poucos anos também como estudante cada vez mais apaixonada pela Antropologia, onde pesquiso as questões de gênero, #identidade e os movimentos sociais, claro atrelado a moda íntima e a #intimidade.


Como o texto é sobre protagonismo, e eu não pretendo falar de lingerie aqui ou contar meus casos amorosos, tão pouco os casos das minhas observadas, não aqui, não agora, talvez em outro momento, em um livro quem sabe.


Mas, o grande lance é que depois de um tempo, comecei a ver #mulheres que depois de terem seus relacionamentos acabados, e se darem o direito ao um luto necessário, muitas vezes até durante longo tempo de desacerto emocional se reconstruíram, deram a volta por cima, encontraram a sua melhor versão, e continuam encontrando a cada dia, eu sei, eu também dei essa volta, e todos os dias também luto para revelar a melhor versão que há em mim.



E como é que a gente se descobre esse protagonismo?

Quando a gente passa a entender que ninguém virá nos salvar. Que somos nós que precisamos sair da torre. Pular a janela. Domar o dragão, afinal é desnecessário mata-lo quando ele pode ser nosso aliado se precisarmos voar, afinal a vassoura não é da protagonista. É quando a gente acorda sem o beijo de ninguém, mas com o próprio abraço de quem se ama verdadeiramente. Sem #vestido cafona. Com long bob ou quem sabe um cabelo curtinho (rsrs) no lugar das tranças. Manda o sapato de cristal para a reciclagem. Devolve o sapo para o brejo. E avisa para o lobo mal que quem manda na porra toda, somos nós. As #empoderadas!


E nunca, nunca se esqueça de quem você é, de onde você veio, o que lutou, o que fez e o que deve fazer para se manter fiel a sua essência e redescobrir sempre a sua #melhorversão. Pense em você, ame a si mesmo e entenda que apenas você é responsável pelas coisas da sua vida. Suas decisões e seu amor-próprio são quem dirão o quão longe pode chegar.


Você a protagonista da sua vida!



Um abraço a você que me leu até aqui.

Ps: Raquel Marinho, eu mesma!

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